segunda-feira, 17 de junho de 2013

Sequência Didática

Texto "Testemunha Tranquila" - Stanislaw Ponte Preta


Violência Não!

Público Alvo: 9º ano E.F e 1º E.M                                                


Duração: 4 aulas.

Objetivos: Desenvolver atividade leitora e escrita, despertando o senso crítico, a sensibilidade e conscientizar para problemas sociais.   

Recursos: Textos impressos "Testemunha Tranquila" de Stanislaw Ponte Preta, Dicionário e Internet.

Etapas:

(Em 2 aulas)

- Pedir, antecipadamente, aos alunos, uma pesquisa a respeito do autor, período e quais gêneros costuma escrever, para conhecê-lo melhor.
- Após pesquisas, discutir em sala o gênero do texto: conto/crônica. Trabalhar suas características de forma expositiva, exemplificando com trechos de outros autores famosos nesse gênero como Fernando Sabino e Luiz Fernando Veríssimo, facilitando assim a compreensão e questionando-os sobre situações corriqueiras, próprias do gênero trabalhado.
Obs. Aproveitar o tema para abordar o gênero argumentativo.
- Formar duplas ou trios e entregar o texto omitindo o desfecho para que façam uma leitura, grifem as palavras desconhecidas e utilizem o dicionário ou façam pesquisas na internet (bom momento para negociar o uso do celular de maneira construtiva) em busca do significado das mesmas.
- Promover um debate entre os grupos sobre como cada um reagiria naquela situação de agressão à mulher.
- Posteriormente, cada grupo deverá criar um desfecho por escrito, fazendo a leitura para a sala.

(Em 2 aulas)

- Trazer de casa pesquisas sobre situações de violência contra mulheres, crianças, familiar etc. para que possam ser trabalhados em sala.
- Reunir novamente os grupos para que possam, resumidamente, comentarem suas pesquisas, por meio de um novo debate.
- Individualmente, produzirem um texto argumentativo a respeito do assunto (obedecendo a estrutura desse gênero).
Obs. Bom momento para reforçar e orientar sobre a estrutura textual.
- Feitas as correções, selecionar algum/alguns para leitura na sala e até uma postagem no blog da turma ou mural da escola.
 Depois do trabalho finalizado, contar a eles o desfecho do autor, observando a reação dos mesmos e retomando assim o gênero crônica.


*****

TESTEMUNHA TRANQUILA

             O camarada chegou assim com ar suspeito, olhou pros lados e – como não parecia ter ninguém por perto – forçou a porta do apartamento e entrou. Eu estava parado olhando, para ver no que ia dar aquilo. Na verdade eu estava vendo nitidamente toda a cena e senti que o camarada era um mau-caráter.
               E foi batata. Entrou no apartamento e olhou em volta. Penumbra total. Caminhou até o telefone e desligou com cuidado, na certa para que o aparelho não tocasse enquanto ele estivesse ali. Isto – pensei – é porque ele não quer que ninguém note a sua presença: logo, só pode ser um ladrão, ou coisa assim.
         Mas não era. Se fosse ladrão estaria revistando as gavetas, mexendo em tudo, procurando coisas para levar. O cara – ao contrário – parecia morar perfeitamente no ambiente, pois mesmo na penumbra se orientou muito bem e andou desembaraçado até uma poltrona, onde sentou e ficou quieto:
            — Pior que ladrão. Esse cara deve ser um assassino e está esperando alguém chegar para matar – eu tornei a pensar e me lembro (inclusive) que cheguei a suspirar aliviado por não conhecer o homem e – portanto – ser difícil que ele estivesse esperando por mim. Pensamento bobo, de resto, pois eu não tinha nada a ver com aquilo.
            De repente ele se retesou na cadeira. Passos no corredor. Os passos, ou melhor, a pessoa que dava os passos, parou em frente à porta do apartamento. O detalhe era visível pela réstia de luz, que vinha por baixo da porta.
            Som de chave na fechadura e a porta se abriu lentamente e logo a silhueta de uma mulher se desenhou contra a luz. Bonita ou feia? – pensei eu. Pois era uma graça, meus caros. Quando ele acendeu a luz da sala é que eu pude ver. Era boa às pampas. Quando viu o cara na poltrona ainda tentou recuar, mas ele avançou e fechou a porta com um pontapé... e eu ali olhando. Fechou a porta, caminhou em direção à bonitinha e pataco... tacou-lhe a primeira bolacha. Ela estremeceu nos alicerces e pimba... tacou a outra.
            Os caros leitores perguntarão: — E você? Assistindo àquilo sem tomar uma atitude? — a pergunta é razoável. Eu  tomei uma atitude, realmente. Desliguei a televisão, a imagem dos dois desapareceu e eu fui dormir.

(Retirado do livro Dois amigos e um chato – páginas 17 e 18 (88)
Stanislaw Ponte Preta, Editora Moderna)

2 comentários:

  1. Ester, sua sequência didática ficou adequada e clara. Parabéns pelo excelente trabalho! Abraços

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